terça-feira, 13 de novembro de 2018

LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA DO PRÊMIO GEORGINA ERISMANN DE POESIA



No dia 07 de novembro de 2018, às 19:30, deu-se início à solenidade de premiação e ao Lançamento do Livro do 4ª Concurso Municipal de Poesia - Prêmio Georgina Erismann. O evento teve como abertura uma belíssima apresentação da Orquestra Neojibá.


O livro conta com a participação de 17 poetas de Feira de Santana e região. Sendo premiados os poemas de Elis Franco em 1ª lugar, Weslley Almeida em 2º e Carol Pereyr em 3º.


Segue abaixo o meu poema, "Ossatura", que galgou a 2ª colocação:

 OSSATURA

I
Cansar
o peixe até ele formar com a linha
subaquático traço
de presa no lábio:
    horizonte tramado de anzol.

Travar
entre os dedos
o pêndulo da sobrevivência
dois lados opostos
tensão de náilon
rasgando o calo da mão
no arrebate da fisga nos olhos.

          Esquivar
o olhar do sol refletido
na calmaria das águas:
espelhos matinais de outono.

II
Chapéu de palha e gaivotas
sussurros de asa ao ouvido
               após
o deslize
sobre a face líquida do mar.
— Não confunda
a generosidade das águas
com o zarpar fácil n’oceano
(as ondas
              vão
e vêm
            como os sonhos).

Ainda mais nesta canoa desgarrada
que só com o remo
rema a ermo
quando a força da rima: o remar.

III
A praia se apaga da vista
não tem mais entremeio o curso
o salitre soluço — o lugar

só há margens
entre a proa e a popa
a terceira é o abismo do corpo
em que se aproxima a morte, a vida:
mesma nau sem bússola de leme torto.

IV
O verso das águas
pede silêncio
após a quebra
da onda
no mar.

Recolher as velas, marujo: erguer os remos.
Saber escolher um canto ao sol, um sombrear
no prenhe calor íntimo das coisas mudas de tom rouco.

Por à praia a embarcação.
Escamas no pelo,
na pele fissuras.

O barco, o peixe, o homem
é tudo (e mais)
questão de ossatura. 


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