segunda-feira, 10 de agosto de 2020

SAPIENS - Uma Breve História da Humanidade


Navegando pelas quase aproximadamente 600 páginas de Sapiens, capitaneada por Harari – Doutor em história pela Universidade de Oxford, EUA – temos, como tripulantes, uma viagem reveladora sobre nós mesmos; às vezes, o autor nos desconcerta, confronta verdades estabelecidas, arraigadas no senso comum (muitas das quais, partilhamos); sua escrita é iconoclasta e põe a luneta sobre ilhas de percepções nas quais não ousamos antes ancorar.
É um convite a discutir senão “de onde viemos?” e “para onde vamos?”: certamente é um chamado para rever, revisar ou revisitar “quem somos?”.
 
Abaixo, alguns fragmentos relevantes do livro, segundo a minha leitura:
 
 - “Só nos últimos 100 anos foi que o homo sapiens saltou para o topo da cadeia alimentar” [...] "conquistou o mundo, acima de tudo, graças à sua linguagem única”.
- A Revolução Cognitiva: mutações genéticas acidentais mudaram as conexões internas do cérebro, possibilitando uma maneira sem precedentes de pensar e se comunicar – de construir narrativas históricas.
- “Toda cooperação humana em grande escala ... Se baseia em mitos partilhados, que só existem na imaginação coletiva das pessoas”
- “Não há deuses no universo, nem nações, nem dinheiro, nem direitos humanos, nem leis, nem justiça fora da imaginação coletiva dos seres humanos” [...] “... a realidade imaginada exerce influência no mundo 
- “A diferença real entre nós e os chimpanzés é a cola mítica que une grandes quantidades de indivíduos”. 
- Não há estilo de vida natural, mas escolhas culturais no assombroso conjunto de possibilidades (p. 71)
- “Cada sociedade e cada indivíduo normalmente explora apenas uma fração de seu horizonte de possibilidades”
- “Os bandos errantes de sapiens contadores de histórias foram a força mais importante e mais destrutiva que o reino animal já produziu”
- “Temos a honra duvidosa de ser a espécie mais mortífera nos anais da biologia”
- “Se soubéssemos quantas espécies já erradicamos, poderíamos ser mais motivados a proteger as que ainda sobrevivem” 
- Quando da Revolução Agrícola, os sapiens abandonaram sua íntima  simbiose com a natureza.
- “Os caçadores-coletores desconsideravam o futuro porque viviam do que havia disponível” "A Revolução Agrícola tornou o futuro muito mais importante do que havia sido até então” 
- “Exércitos, forças policiais, tribunais e prisões estão o tempo todo em ação, forçando as pessoas a agirem de acordo com a ordem imaginada” 
- “Não é preciso muito para satisfazer as necessidades biológicas objetivas do Homo sapiens” 
- “A ordem que organiza nossa vida só existe em nossa imaginação” 
- “Cada pessoa nasce em uma ordem imaginada preexistente” 
- “Nossos desejos mais pessoais geralmente são programadas pela ordem imaginada” 
- Um princípio histórico da humanidade: a biologia permite, a cultura proíbe
- “O sentido teológico de natural é de acordo com as intenções de Deus, que criou a natureza” 
- Sexo é uma categoria biológica, gênero, uma categoria cultural
- As pessoas desde o seu nascimento até a vida adulta passam a se comportar e a desejar de acordo com certos padrões, criam instintos artificiais.
- O dinheiro é uma realidade intersubjetiva que só existe na imaginação coletiva das pessoas.
- O dinheiro é o mais universal e o mais eficiente sistema de confiança mútua já inventada.
- O dinheiro atual não tem um valor inerente (a exemplo de moedas de ouro ou prata), mas meramente simbólico.
- “A maioria das religiões antigas eram locais e exclusivas. Seus seguidores acreditavam em espíritos e deidades locais e não tinham interesse algum em converter toda a raça humana” 
- “A ideia do politeísmo leva a uma tolerância muito maior”
- Os monoteístas costumam acreditar que são detentores de toda a mensagem de um único Deus
- “O dualismo é uma visão de mundo muito atraente, porque tem uma resposta simples” 
- “O sincretismo talvez seja, de fato, a única grande religião mundial” 
- “A vida é uma corrida desenfreada e sem sentido” 
- “O sofrimento é causado por padrões de comportamento da nossa própria mente” 
- Focar no que está sentindo e não no que quer sentir. Se acolher a tristeza, pode continuar triste, mas você não sofrerá.
- 99% dos budistas não alcançam o nirvana
- O Capitalismo – a mais bem sucedida das religiões modernas
“O crédito nos permite construir o presente à custa do futuro” 
- Riqueza: dinheiro parado | Capital: dinheiro investido, em circulação
- A própria guerra pode se tornar um commoditty 
“A maioria dos escravos viviam uma existência curta e miserável”
- Os limites são determinados por nossas ignorâncias.
- Na Revolução Industrial “os animais de criação deixaram de ser vistos como criaturas vivas capazes de sentir dor e sofrimento e passaram a ser tratados como máquinas”
- “A obesidade é uma vitória dupla para o consumismo. Em vez de comer pouco, o que levará à contração econômica, as pessoas comem demais e então compram produtos para dieta – contribuindo duplamente para o crescimento econômico” 
- O céu do capitalismo é passado na nuvem da televisão
- A função da vida é – de regra – espalhar ao máximo o seu DNA
- Depois da Segundo Guerra Mundial percebemos nosso poder de autoaniquilação.
- “Hoje a humanidade desfruta do tipo de riqueza que só existia nos contos de fadas” 
- “As pessoas ficam felizes por um único motivo: sensações agradáveis ao seu corpo” (teoria biológica)
- Algumas pessoas tem uma bioquímica melancólica que oscila entre 3 e 7, e se estabiliza em 5. Quem tem um sistema bioquímico alegre, varia entre 6 e 10, e se estabiliza no nível 8.
- Como colocou Nietzsche, se você tem um motivo para viver, é capaz de tolerar praticamente qualquer coisa.
- O segredo da felicidade é descobrir a verdade sobre você mesmo.
- Os sapiens estão se transformando em cyborgs.
- Pertencemos a uma das últimas gerações de sapiens.



 REFERÊNCIA

HARARI, Yuval Noah. Sapiens, uma breve história da humanidade. Porto Alegre, L&PM, 2018





quarta-feira, 8 de julho de 2020

ESPECTROS DE VAGA-LUMES | PROJETO AMANHECER


Idealizado pela professora de Literatura Brasileira, Dra. Léa Costa Santana Dias (UNEB), o projeto AMANHECER divulga poesia na sua mais alta voltagem poética.
Fui gentilmente convidado a participar, e aí segue o resultado deste sensível e belo trabalho.


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PROJETO AMANHECER (UNEB)
Profa. Dra. Léa Costa Santana Dias

Foi o contexto da pandemia que fez surgir em mim o desejo de mobilizar nas redes sociais um espaço para a circulação de boas energias, um campo para o florescimento dos girassóis. 
Trazia a ideia na cabeça, mas, para nominá-la, eu não tinha um nome na mão. 
Pensei, pensei, pensei, mas o nome não vinha.
Pedi ajuda. Algumas pessoas opinaram. Nomes bons surgiram, mas nenhum dos nomes sugeridos foi capaz de alcançar meu coração. A ansiedade e o desejo de que a palavra adequada chegasse me fizeram mergulhar em duas longas noites de insônia.
Na última delas, lá pelas tantas, um vaga-lume invadiu meu quarto. Foi um momento mágico! Eu era criança e morava na zona rural na última vez que presenciara um vaga-lume. 
Minhas lembranças anteriores sobre esses seres iluminados datam desse período em que eu tinha no máximo oito anos.
A ilustre visita me pareceu, então, carregar em si a palavra de que tanto eu precisava para nomear o projeto/campo para o florescimento dos girassóis.
Para ter certeza, levantei-me da cama às pressas, e pesquisei na internet, pelo celular, sobre os vaga-lumes. Fiz a pesquisa no escuro, para não espantar meu amiguinho de luz.
Não havia mais dúvida.
Aparecera em meu quarto o símbolo do projeto: o vaga-lume.
O nome do projeto não poderia ser outro. 
Seria Amanhecer, já que o vaga-lume convertera em manhã a minha noite de insônia!
Peguei lápis e papel, rabisquei o texto introdutório do projeto. Foi dormir em paz, em companhia do luminoso vaga-lume.
Ao amanhecer, um dos mais luminosos da minha vida, ainda estava em minha companhia meu amiguinho de luz. Ficou por algum tempo em meu quarto e partiu, certamente para iluminar outras insônias.
Antes de partir, no entanto, ele me confessou um segredo:
“O Projeto Amanhecer precisa ser um chamado às conversas de vaga-lumes.”
Atenta à voz do vaga-lume que continua iluminando minha insônia, é que chamo para a conversa o poeta Weslley Almeida, que compartilha conosco o texto Espectros de vaga-lumes, publicado pelo MAC (Feira de Santana), em 2013. Weslley Almeida é poeta e compositor. Residente e natural de Feira de Santana, é graduado em Letras e mestre em Literatura pela UEFS.

Mais informações:

domingo, 29 de março de 2020

CORRIDA




Correndo pra lugar nenhum, fomos obrigados a pararmos
em nós mesmos. Nos nossos lofts, aps, barracos e mansões. Quando muito, saímos para alguns megabytes de distância
nas nossas redes sociais. Estamos quedados:
entre paredes brancas, azulejos, barro ou papelões; telas, polegadas.
Estamos no cerco de nós mesmos. Na margem dos nossos, dos que nos cercam, estranhos: conhecidos de mais.


Observamos o silêncio. O perplexo. Um ser que se move em muitos, nos deixa paralisados ante a fragilidade do fio da vida – que a qualquer hora se rompe:
como um corte de energia elétrica
cálice de vidro quando cai
um prato de comida ante a fome.
Some.

E a vida
novamente se refaz
em escuridões e estilhaços
alimentados de uma esperança ainda que frágil
Mas – e mais – que gigante.


              *** 

quarta-feira, 25 de março de 2020

DESCOBERTA


DESCOBERTA

Descobrir em casa:
Os livros que ficaram por ler
O filho, com a luz do dia
O prazer e o cansaço do sofá
Da sala ao quarto, a cozinha.

Ver repetidas vezes a notícia do jornal
Repetidas as horas
Com celeumas e celulares de pandemia

A reclusão das paredes, portas
Pausa compulsória
Higiene e profilaxia

As pontes e hiatos
Distâncias e nós
Caronas e eremitas da infectologia

E nossos olhos esticados no horizonte
Com grande desejo
Que o Amanhã se remonte

Em abraços de calor, carne e osso
Beijos e contágios de alegria.

terça-feira, 24 de março de 2020