quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CHICO MALANDRO

A Quincas Berro d’Água



Chico morreu na praia

Era fim de semana

Com um litro de cachaça

Empurrado na pança

Siri nem caranguejo

Lhe fez companhia

Parou de trabalhar

Patroa incomodar

Vida de boemia.



Quando chegou ao céu

São Pedro lá na porta

Falou “não vai entrar

Com o bafo de cachaça”

Chico, um bom malandro

Levou Pedrão na lábia

Falando enrolado

Entrou cambaleando

Com o copo americano.



Meio sem chão nem rumo

Foi procurar um bar

Só viu anjos voando

De cá pra lá pra cá

Sem saber onde estava

Disse consigo mesmo...

“Vou deixar essa pinga

Tô vendo muita coisa

Aproveitar que é anjo

E não capeta mi ispetano.”



Um moço de vestido longo e branco

Disse pr’ele “calma

O segredo é não tomar demais

Moderação é bom um pouco”

Transformou um líquido transparente

Num avermelhado

Chico encontrou um parceiro

Que além de lhe dar conselho

Lhe fez beber moderado.

 
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2 comentários:

  1. Gosto de poesia com prosa. Além de dar um encanto à estória, a deixa ritmada. Você soube captar a brasilidade e a humanidade de "Chico" e, ao mesmo tempo (ou por isso mesmo) tornou o personagem bastante original.

    Abraços, Weslley.

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  2. Adorei Weslley!!! Muito bom!!
    Quer dizer que no céu a gente vai ter que beber moderado é?? Queria ver o que Marcos Monteiro vai achar disso... vai ficar triste, o bichinho... rsssss
    Saudades!! Bjo!!

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