sábado, 24 de dezembro de 2011

NATAL NOSSO DE CADA DIA

Todos nós, de certa forma, já somos o que podemos vir a ser. Então, assim, em potência, somos Hitler e Ghandi. A sugestão é alimentarmos este em nós ao invés daquele. E que partilhemos paz, amor e equidade, no natal nosso de cada dia. Nascendo luz e reverberando alegria: fraternidade. Como o fez (e nos inspira) o personagem principal dessa data – Jesus.


Bom Natal!


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

CHAVE DE IMAGINAR



Uma chave no chão
                                            largada

na sua

miudeza inútil

coberta de barro

seco e mudo.


“O silêncio não é dado a amenidades”

Ouçamos no recôndito

o que ela abrira 

no seu tempo de utilidade.



Será que era a chave

da casa da humanidade?

A chave do verde da flora?



Sabe lá...

Quero des/saber.

Pra imaginar.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DEIXEM ENTRAR OS PALHAÇOS

Este poema teve seu berço de inspiração na composição
“Send in the Clowns” de Stephen Sondheim, 
interpretada na voz de Renato Russo.

Imagem: Martha Barros
 
 
Deixem entrar os palhaços

enquanto não voam os malabares

e a lona ainda não está a pino.



Deixem entrar os palhaços

para rirmos do acaso

da nossa desgraça — acrobacia em trapézio desequilibrada

até o alto estendida.



Deixem entrar os palhaços

choremos de alegria

em meio à tristeza

 a solução vem na cartola

da vida, que o grande mágico usa.



Deixem entrar os palhaços

e suas intervenções risonhas

estórias tão bem mal contadas

quanto as nossas vidas.



Deixem

entrar

os palhaços.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

ENTRECORPOS



Toca-me a voz
no tímpano
seus sons salivados
sentidos sibilantes 

línguas em movimento
se comunicam fora 

da cognição

marcas de dentes incisivos
in-sanos                               
pertubaz
                   minha paz!

inquietando-me 

essa Vênus terráquia
voraz
vIndo vasta de amor
paixão delirar.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CHICO MALANDRO

A Quincas Berro d’Água



Chico morreu na praia

Era fim de semana

Com um litro de cachaça

Empurrado na pança

Siri nem caranguejo

Lhe fez companhia

Parou de trabalhar

Patroa incomodar

Vida de boemia.



Quando chegou ao céu

São Pedro lá na porta

Falou “não vai entrar

Com o bafo de cachaça”

Chico, um bom malandro

Levou Pedrão na lábia

Falando enrolado

Entrou cambaleando

Com o copo americano.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

ONIPRESENÇA



Eu sempre que parti

                       fiquei.


Estou em tantos lugares

além daqui.

sábado, 8 de outubro de 2011

PAZ-SSOS



Minha paz

sai com ela

paz minha

passar-ela

pergunto-me como

passo a vida

sem junto os passos...

dEla.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

DESPALAVRAS

Van Gogh

"Há muitas maneiras de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira" Manoelito (feito de) Barros


 
Eu que sou um homem ligado à palavra, como uma face do papel à outra, tenho essa mania de querer dizer algo... sempre. Um ranso dicionárico. Percebo que às vezes o silêncio do sentido é que dá o “sentido”.

Se observarmos bem, as coisas mais tocantes e prazerosas não dizem nada. Porque se disser, ofusca. O que é poético, não raramente, é indizível e transpassa as barreiras do inteligível. Uma espécie de terceira margem de não sei onde, nem o porquê. Mas que é, mesmo no seu des-Ser.

Vai imaginando... Um bom beijo. Fazer amor. Um abraço gostoso de um amigo/a. Um sorriso despretensioso de uma criança. O nascer e pôr-do-sol. Um olhar de carinho. Uma tela de Van Gogh. Uma poesia de Manoel de Barros.

É... seu moço (refiro a mim mesmo). Vê se aprende as despalavras.

domingo, 4 de setembro de 2011

POESIA NA SINALEIRA

O blog Ponderantes, na pessoa de Valdeir Almeida, teve a iniciativa de realizar uma entrevista comigo no intuito de divulgar a ação "Poesia na Sinaleira", acontecida na cidade de Feira de Santana.

Para conferir: http://www.ponderantes.com.br/2011/08/poesia-na-sinaleira.html


Abraço a tod@s!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ESPELHO DE GIRASSOL


Depois de ficar pausado

frente ao girassol

me perguntou se gostaria de sê-lo.



Respondi qu'era muito difícil pra mim

humano

ser assim

astro plantado

refulgindo raios petalais;

mas que havia sementes no coração

e fecundas

terras n’alma

viçando por germinar...



domingo, 28 de agosto de 2011

FRAGMENTOS DE INFÂNCIA

 
Comer manga com sal. Botar bomba nº10 nos blocos dos muros desrebocados. Comprar geladinho de R$ 0.10. Tomar topada no jogo de futebol (dói paralelepípedo!). Vôlei na rua, só carro passa por baixo. A Coelba veio cortar o gato, avisa pro vizinho. A Embasa também: “minha água é de poço artesiano...”. Meu pai me deu R$ 5. Tô cheio de dinheiro – vai dar pra semana inteira. A hora de vídeo-game em Seu Lao é R$ 0.80, vou mandar reservar 2h. Hoje zero aquele jogo. De noite ir para cima do telhado pra enxergar disco voador. E procurar no mato vaga-lumes quando energia faltava no bairro. Ficar andando no ar, do pé de goiaba pro de manga como macaco. Fazer das carteiras de cigarro achadas no chão papel moeda: Malboro e Free, as que mais valiam. Cavar três buracos no chão pra jogar gude. Sentir a direção do vento pra empinar arraia. Tentar pegar passarinho com a mão enquanto está andando. Fazer da garrafa de Q’boa um carro. Botar pipa no ar como avião. Andar de bicicleta de mão solta...

e sentir-se

                                                                                                         pássaro.


sábado, 13 de agosto de 2011

PRIMEIRA VEZ

Karina Polesa





Teve suas tetas iniciadas no amor

pela boca da paixão



foi e se arrepiou (no seu sexo)

como grama de mata virgem levada

em solos ventos de erupção



lavas cor de sangue manchavam o lençol

amassado pelas mãos

lambido corpo trêmulo

respiração

ofegando fino grito.


                         

terça-feira, 2 de agosto de 2011

VARIAÇÕES SOBRE O AMOR


Amor é gestação

Leite materno.

Plácido ambiente sonoro.

Húmus da poesia.

Entreolhar silente e

Explosivo.

Lua cheia que

Minguantemente

Se disfarça.

Sol

Que só

Sem dizer palavra

Alumia.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

COISA DE DAR EM ÁRVORE

Imagem: Erika Thorpe

Quando eu ainda não estava na casa dos vinte, e via o mundo sem muitos compromissos – mais brincante e engraçado –, uma das coisas em que eu me divertia era subir nos pés de manga e goiaba do quintal de casa, ambos altos e frutíferos.

Era uma aventura aquilo... A subida era o primeiro desafio. Não gostava de colocar banco ou cadeira pra ajudar. Não raro, escorregava e me arranhava todo. Quando chegava lá me cima: um triunfo! Conseguia enxergar o mundo doutro ponto de vista, do ponto de vista do pé de goiaba e do pé de manga. Eles vêem melhor que a gente...



Sentia-me meio selvagem alí... Sabia que, quando descesse, encontraria cimento e paredes, e me tornaria novamente humano.


Mais gostoso do que comer fruta do pé é comê-la no pé. Entre galhos, folhas e bichinhos que só lá em cima se vê. Aí minha mãe lá da cozinha gritava: “Weslley, ranca umas goiaba madura aí pra fazer suco pro almoço. E desce logo que é pra ir pra escola, senão chega tarde...” Colocava as goiabas nos bolsos do short (e às vezes até na cueca) e descia meio desequilibrado.


As mangas verdes... Comia com sal e acrescia de quando em vez pimenta do reino. Minha mãe ficava aguniada, reclamava direto: “isso dá gastrite, menino!”. Mas quem é que ligava...


Dos pés de manga eu subia na laje da casa que estava construindo. E ia também para cima dos telhados da casa construída. Parecia macaco. Não tinha banana. Mas tinha manga e goiaba.


Não sei se admiro a vida dos índios porque tive essa experiência, ou se tive essa experiência porque queria ser índio. O fato é que me sentia diferente lá em cima. Apesar de estar sobre galhos e troncos, a sensação... era de que eu levitava.

terça-feira, 26 de julho de 2011

ERA


Vejo um ser sem camisa

de longe conto

da costela os ossos

nos pés não tem

nada

no bolso

nada

nada também na barriga

e nada no futuro

(em qualquer tempo)



Esse ser...

era uma criança.

Era.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

CREPUSCULAR



Girassóis me cumprimentam ao entardecer.

Margaridas pegam em minhas mãos:

correm comigo.

Enquanto os cílios da grama carente

meus pés

acariciam.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

REFLEXÕES EM FRASES X

Imagem: Quino.
(Mafalda)


Todo fraco, seu forte; todo forte, seu calcanhar de Aquíles.

Se Internet, logo existo... (?)

Existem palavras que precisam ser silenciadas: as que só o corpo diz.

A vida, mais do que um "caminhar para", um "caminhar como".

Em poucos minutos se lê um poema. Em anos é reverberado.

Perfeição - palavra tão desumana...

sábado, 14 de maio de 2011

DE RATOS E HOMENS

 Instalação: Ratoeira humana. Weslley Almeida


Observei

distante

como miragem embaçada

uma ratoeira.

Nela uma nota de dinheiro.



Eu – até então homem –

desejei como rato.

Desses dos esgotos fétidos.

Desses de palitó e gravata e cifrão na testa.

Desses de Congresso e templos



Quando acordei

(pra me esquecer)

desembacei a miragem e voltei a comer

meu simples mero queijo

furado.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

ESSAS COISAS QUE MÃE DIZ

Imagem: Weslley Almeida

Que mãe é mesmo bicho besta.

Que não mandamos no nosso nariz.

Que não é para beliscar (a comida).

Que filho é pra sempre!

Que nos coloca em suas orações, pedindo proteção.

Que sempre quer o nosso melhor.

Que na vida dela somos tudo.

Que seu amor é incondicional.

Que sabe das coisas... (e dispara a nos aconselhar)

Que nos quer debaixo de suas asas (mesmo quando já alçamos vôo)

Que seu filho não é para qualquer uma.

Que estamos magros (e a culpa é da esposa).

Que quem tem suas cabritas (filhas) que as prendam, porque seus cabritos estão soltos...

Que só porque temos um negócio pendurado entre as pernas não estamos impedidos dos afazeres domésticos.

Que não vai criar filhos de seus filhos (e cria).

Que só quando formos pais é que vamos entender.

domingo, 24 de abril de 2011

VARIAÇÕES SOBRE O PRAZER


O mais recente livro de Rubem Alves é escrito por quem encheu o saco de teorias insípidas e epistemologias insossas. De quem cujo laboratório agora é a cozinha: “degustar a vida” é a proposta essencial.

Bastante inspirado em Barthes, o autor se volta ferozmente ao academicismo, aos cientistas e filósofos – de certa forma até exagerada. Na sua opinião, o absolutismo da razão engaiola a vida: “não há pássaros soltos de vôo imprevisto” no mundo positivista em que ainda vivemos. Ele faz uma distinção entre os filósofos e os poetas: os aqueles “pensam sob a luz de lâmpadas fluorescentes”; estes, “sob a luz de velas”... Afirma que o problema de alguns eruditos é que eles leem “até ficarem estúpidos”. E declara que as universidades estão cheias deles.

O escritor dialoga também com Nietsche e com a cozinheira Babette, com os poetas Adélia Prado, T.S. Eliot, Fernando Pessoa e Manoel de Barros. E convida-nos às desaprendências...

Declara o autor que temos medo do prazer. Não sabemos lidar com. Ou exageramos para menos ou para mais. E aponta uma causa disso: “a espiritualidade ocidental foi construída sobre a negação do prazer”. Aí me lembrei de um verso que eu mesmo escrevera um tempo atrás: “o pecado assumiu a paternidade do prazer...”.

Como de praxe, ele também entra no campo da Educação e faz uma assertiva: “a escola não ensina o sabor”. E por isso que não se educa: quando muito, se transmite dados. Neste momento faz alusão a Paulo Freire como proposta.

Assim, o autor vai sugerir ao leitor(a) que ele/ela ao invés de tentar compreender a vida, deguste-a. E lança mão de um verso de Pessoa, que diz: “sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo...”.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

REFLEXÕES EM FRASES IX



A gramática está para o poeta assim como a razão para a paixão.


Meu corpo (que sou eu mesmo), não raramente, discorda de mim; às vezes retruco, outras, silencio...

O defeito que se quer enxergar no outro está muitas vezes latente em quem o procura.

Shangri-La, sangra aqui...?

Nós ocidentais temos uma gritante dificuldade: o silêncio.

domingo, 10 de abril de 2011

DA INUTILIDADE

Aos sobrinhos David, Katy e Levi.

Quando eu era pequeno jogava gude, empinava pipa, tomava banho nas bicas improvisadas das casas nos dias de forte chuva; andava de pés nus, sentindo os grãos da terra.

Então, um dia chegou a hora de adultecer. Eu deveria crescer e ser útil.

Hoje - com meus 28 e 1.79 - me dá uma saudade de meu tempo de inutilidade...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

DA CRIAÇÃO

Imagem: Gary Smith



A mangueira relatou que tudo começou da árvore Mãe com seu caroço gigante, de onde saiu o mundo.

A centopéia disse que a divindade maior era cheia de pernas e que isso simbolizava um pé em cada lugar (onipresença), e em cada lugar um ato de existência.

O homem disse que Deus criou tudo e no sexto dia fizeram eles – seres humanos – para a Terra subjugar.

Logo dentro em breve nem a manga e seu caroço, nem a centopéia e suas patas, quiçá Deus, subsista para sua história contar...

quarta-feira, 23 de março de 2011

MUDANÇA DE OFÍCIO

Cupido se meteu a poeta:

largou flecha
 usa pena

tinta preta
resma branca.

quarta-feira, 16 de março de 2011

REFLEXÕES EM FRASES VIII



A tinta está para o pintor como a palavra para o poeta.

Um grande escritor não escreve o que os leitores querem comprar, mas o que sua geração precisa descobrir.

O desafio maior do poeta não é criar um exímio poema, mas viver sua poesia, sobretudo.

Uma vida intensa pressupõe cicatrizes. Neste caso, tê-las: traços de telas.

Diz-se: “viva cada dia como se fosse o último". Digo, viva-o como se fosse o único.

A experiência amorosa pode ser comparada a um sol olhado do espaço, ou a uma flor. Aquele brilha para um quase sempre. Esta é tão bela quanto efêmera.

O que se vê na luz da manhã não é mais... ao crepúsculo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

ATAQUE POÉTICO


Fui atacado pela poesia dentro do carro. Meu destino, o trabalho. Eram 7:55 da manhã, parado na sinaleira, daquelas de três tempos, em meio ao transito caótico da cidade ci-vilizada. Peguei o celular e abri o editor de textos. ”Rápido”, disse para mim mesmo. Não era a preocupação com o sinal verde que aparecera no semáforo, mas com a inspiração que poderia passar! Então me mantive parado e engatei a primeira, nos versos. Fui construindo-os em meio à fumaça e motores acelerados. Buzinaram freneticamente! Intriguei-me: não se respeita nem os poetas... Continuei, claro...! Era um poema curto!
Desci do veículo, chateado, lembrei de Ferreira Gullar e gritei com uma voz bem empostada aos motoristas enfileirados atrás de mim... Será que vocês não sabem que "a arte existe porque a vida não basta"?!
O poema me custou alguns xingamentos, uma multa e um atraso no trabalho. Mas, me digam: valeu ou não valeu a pena? Pessoal, era uma poesia!

segunda-feira, 7 de março de 2011

MARIA, E AGORA...?

Ao dia da Mulher.
Celebrando esse ser belo, forte e mágico!



Sempre omitida

em sua jornada

calada, burlada

maltratada sem dó

sem ré, sem mi, sem fá, sem sol

apagada

des-musicada

cansada

pela jugo do falo.

Maria, e agora...?



Sem a chave na mão

quer abrir a porta

e nem tem porta

pr'ela poder entrar.

Seu rio secou

quer fugir pro mar-da-vida

mas o mar está poluído

Maria, e agora?!



Sua inteligente palavra

seu ventre poético

seu mundo de cores

não tinha voz

não tinha vez.

Nunca pôde cantar

seu canto

pungente

ser tudo que é

pois o macho poder

veio e desfez.

E agora, Maria...?!



— Eu não me dobro

Não emudeço

nem me troco

me rasgo em mil

se preciso for.

Desfaço o desfeito

sou mulher aguerrida

que quer mostrar

hoje e sempre sua tez.

Que não se prostra

diante das tretas

e insensatez

do poder androcêntrico

androfálico

andropênico

que ou murcha ou se iguala

à Vagina de vez!

 
E agora, José...?

Maria: e agora.

terça-feira, 1 de março de 2011

REFLEXÕES EM FRASES VII


Quando não se tem o compromisso de fingir, se é.


Somos a síntese e a antítese de nossas crenças e valores.

Nosso léxico, nosso tempo: espelho e identidade.

A satisfação não pode estar no fim do caminho, somente. Mas nas an-danças, sobretudo.

Nosso trabalho deveria ser que nem fazer amor; mas é comum ele assemelhar-se a um estupro, ou quando um pouco melhor, a uma obrigatória transa matrimonial.

A vida é mais do que sexo. Tudo anseia orgasmo.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

AMPLEXO DA CRIAÇÃO


Percebam o abraço: um bom abraço.
Como os corações se aproximam, os rostos; o calor um doutro, um noutro.
Reverberação cutânea, respiração respirada, toque anímico, enlaçamento carne-alma.


Quando Deus criou os seres, a cada um abraçou, e deu-lhes o sopro da vida, bem de pertinho



(E assim foram

os seis dias primeiros).

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

COTIDIANO DUM CIBORGUE


Hoje coloquei meu carregador na tomada. Meu dia de trabalho foi muito desgastante...! Atualizei meu antivírus para bloquear alguns cavalos-de-tróia que entraram pelo ouvido. Limpei meu HD, quase lotado de logins e senhas, que se pede para tudo agora. Fiz um bluetooth da comida que estava na geladeira, enchi a pança; mas a comida estava estragada, não adiantou Activia. Então, tive que fazer logo o download... Depois de baixar os arquivos, configurei um banho auto-limpante, e fui dormir... na Rede.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

AQUOSA

Sensuelle
Elise Almigiane.


Derrama teu viço

Sobre minha pele

Meus pelos,

Pelos meus...



Pincela-me como queira.

Tua tinta, ardor e fogo.



Deixa-me úmido

Entregue

Junto ao teu corpo...

Lânguido

Lambido

E aquoso.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

DE PLÁSTICO

“As flores de plástico não morrem”


não cheiram

não viçam

não seduzem as abelhas

não mudam com as estações...


e tudo é mesmo

estático

e sempre.



Iris on The Table - Acrílico - Jan Blencowe

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ARFABETIZAÇÃO & RIFORMA AGRÁRA

Cordel fruto das prosa com trabalhadores/as rurais de Feira de Santana e Região...


A maió parte dos povo daqui, moço, num tem terra não...

E quando se tem, é um cadin minúsculo

Porcauso daqueles que tem demasiado

Muito latifúndio disusado.



A gente fica se bateno

Ajudando um e ôtro

Trabaiano duro que nem tôro

Com a famía e de comodato

Com difircutagem um pouco colheno



Quando tudo seca

Num tem jeito, vamo dá dia nas terra dos dotô

Arrancar toco e fazer pasto.

“Vocês num istudô”, dizim eles.


A maiuria aqui faz a assinatura com o dedo...

Caligrafia é coisa pros nobre

Pobre sabe lá o que é isso

Povo desvalido pensa que é desenho


Nossa linguage é mais falada

Sem escrivinhamento

Palavras só no coração e lá dentro

Donde Deus pôis as primera letra rascunhada.



Mas será, meu Cristo, que um dia isso tudo muda...?

Ô meu São José, há de consiguirmo terra pro nosso prantio...?

Valei-me mestre Palo Frêre

Quem sabe há de termo no nosso roçado chuva

Pra colheita abastada

Pra colírio pra leitura.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

DISTRAÍDA-NEFASTA CANÇÃO


Um casal de moscas, intertido com o acasalamento (possuídas do instinto bom e insano) pousou, para este fim, na terceira corda da segunda casa do meu violão. Eu, intertido não com sexo (no momento), mas com a música e seu processo de criação, fiz com que uma das moscas ficasse viúva, com um lá maior em mãos: tom da distraída e nefasta canção - a qual, para diminuir meu sentimento de culpa, toquei no seu velório... 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

SAUDOSISMO CLAIREDELÚNICO

Hoje

Coloquei Claire de Lune pra tocar. Debussy me fez lembrar

de tudo que é poético e se foi...

Não como quem chora de tristeza;

mas, sim, com uma alegria melancólica

da beleza dos momentos vividos

vívidos

cujas fruições embeberam-se de força

e êxtase:

tornaram-se atemporais

no meu Pra Sempre...